LEITORES 

 DESCOBRINDO CAMINHOS

 

Desde 1909, onde o conteúdo faz a diferença.

Edição 5.086 – Ano 100 – Caxias do Sul-RS, 16 de abril de 2008.

EDITORIAL

A Igreja tem o direito e o dever de falar também à sociedade civil

Em nome do Evangelho, a Igreja e o Papa querem estar presentes nas alegrias e angústias da humanidade.

O mês de abril marca importantes eventos para a Igreja Católica. No dia 2 de abril de 2005, o mundo deu um dolorido adeus ao Papa João Paulo II e no dia 19, com alguma surpresa, a Igreja e o mundo tomaram conhecimento da eleição do cardeal Joseph Ratzinger para o Papado, com o nome de Bento XVI. Tão diferentes entre si, igualam-se no ardor apostólico e pela presença no cenário mundial. João Paulo foi o homem das multidões, com gestos teatrais e uma inegável simpatia pessoal. Já Bento XVI é mais tolhido, didático como convém a um professor. Ambos assemelham-se pela fidelidade à palavra, marcando presença nas grandes discussões, religiosas e civis, de toda a terra.
Há 45 anos, o Vaticano II sepultou a idéia de uma Igreja fechada em si mesma, confinada às igrejas e sacristias. As alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do mundo são também as alegrias, esperanças, angústias e tristezas da Igreja. Não temos duas histórias - a civil e a religiosa - mas uma só e o mandamento do Amor deve perpassar a vida das pessoas, famílias e nações.
Ainda agora, o Papa Bento XVI inicia uma histórica viagem aos Estados Unidos de George W. Bush. Não será uma viagem diplomática, mas apostólica e profética. No centro do Imperialismo - tantas vezes condenado pela Igreja - a voz serena e firme do Papa indicará o caminho do Evangelho. Ele falará também em nome dos milhões de famintos e/ou envolvidos por desumanas guerras. E lembrará que existem muitos outros valores acima do dólar e da grandeza de um país.
No Brasil, os bispos, reunidos em Itaici, ao tempo em que formataram as diretrizes para os próximos anos para a Igreja, assinalaram e condenaram posturas de uma sociedade teoricamente cristã. É o caso da corrupção, dos embriões humanos e da política indígena.
O Papa e os bispos seguem a exortação de Paulo Apóstolo no sentido de pregar, a tempo e fora de tempo, de maneira oportuna e inoportuna. E suas palavras não são apenas aos fiéis, mas se dirigem também às autoridades civis e às pessoas de boa vontade, não excluindo àqueles que gostariam de ver a Igreja no silêncio das sacristias ou das catacumbas.



Agricultura

2º Horti Serra amplia temas centrais


Evento, de 28 a 30 de maio, inclui floricultura

 

O 2º Horti Serra Gaúcha e o 3º Shopping Rural ocorrem de 28 a 30 de maio no Centro de Eventos da Festa da Uva. O Horti Serra, voltado para o segmento rural, teve seus temas centrais ampliados: além da vitivinicultura (dia 28), fruticultura (29) e olericultura, vai abranger também a floricultura (30).
“O Horti Serra colabora com a proposta de tornar a Serra gaúcha um pólo de excelência na agricultura”. A avaliação é de Nestor Pistorello, secretário municipal da Agricultura e um dos responsáveis pelo evento, que é realizado em conjunto com a Festa da Uva.
Neste ano, o programa do Horti Serra terá 33 palestras, que serão ministradas por técnicos especializados do Brasil e do exterior. Pistorello não tem os nomes confirmados, mas é certo que o conteúdo das palestras abordará o controle de pragas e doenças, as boas práticas de produção, estratégias de comercialização, entre outros assuntos.


Agricultura

Shopping Rural, um balcão para o setor


 

Junto ao Horti Serra, também no Centro de Eventos da Festa da Uva, ocorre o 3º Shopping Rural. Trata-se de uma oportunidade para exposição e comercialização de hortifrutigranjeiros, sementes e mudas, rações, flores e folhagens, animais, piscicultura, artesanato, turismo rural, máquinas e equipamentos agrícolas, plasticultura e irrigação, fertilização e outros.
Os produtores interessados podem se inscrever na Secretaria da Agricultura (fone 54 3290-3800) ou em entidades parceiras, como sindicatos rurais e Emater. Os que desejam expor seus produtos devem fazer contato com a Exposul (exposul@exposuldobrasil.com.br). A Emater está organizando excursões para quem deseja vir de outros municípios.


Agricultura

Agroindústria é foco de feira em Lajeado


 

A agroindústria familiar é o tema central da 1ª Feira Nacional de Máquinas, Equipamentos, Produtos e Serviços (Agroind), que Lajeado promove de 17 a 21 deste mês, no Parque do Imigrante. Paralelo à Agroind, ocorre o 1º Simpósio Tecnológico da Indústria da Carne, o 1º Simpósio sobre o Acesso ao Crédito, com repasse de informações para a adesão ao Suasa.
Durante a feira realiza-se ainda encontro de secretários municipais de Agricultura, reunião do Conselho da Ocergs, audiência pública da Comissão de Agricultura e Pecuária e Cooperativismo da Assembléia Legislativa, Seminário da Comissão Estadual de Jovens Trabalhadores Rurais e Seminário das Mulheres Trabalhadoras Rurais.
Estarão presentes também mais de 100 expositores de máquinas, equipamentos, serviços e produtos, além de 200 agroindústrias da região.


Caxias do Sul

Cresce risco de racionamento de água


Chuva não consegue deter a queda nos níveis das represas caxienses

 

A situação ainda está distante da de 2006, quando as maiores represas que abastecem Caxias estavam com seus níveis bem abaixo do normal - 8,08 metros a Maestra, 4,93 metros o Faxinal e 3,8 metros o Complexo Dal Bó. Mas os níveis da semana passada obrigaram o Samae a alertar para a possibilidade de ser reeditado decreto proibindo o uso de água potável para fins não essenciais (lavar calçada e automóvel, regar jardins etc).
Levantamento do dia 8 de abril constatou que a represa do Sistema Faxinal (abastece 63% dos caxienses) estava com o nível 2,91 metros abaixo do normal; a Maestra (fornece água para 23% da população) estava com déficit de 2,5 metros; a marca no Complexo Dal Bó (9% dos caxienses) ficava 1,74 abaixo do ideal; e a represa do Samuara (5% da população), 0,68 metro.
As chuvas do final de semana foram insuficientes até para manter as marcas do dia 8, o que elevou o risco de racionamento. "O racionamento é uma medida que poderá ser tomada caso as chuvas demorem a normalizar", afirmou o diretor-geral do Samae, Marcus Vinicius Caberlon, ao mesmo tempo em que pedia aos caxienses para "utilizar a água de forma racional, sem desperdiçar".
Uma forte estiagem atinge a região desde o final do ano passado, ainda resultado do fenômeno La Niña. E Caxias do Sul sente os seus efeitos. Além dessa realidade, as projeções climáticas para o outono indicam quantidade de chuva "abaixo da normal climatológica na maior parte da região" - boletim referente ao período de março a maio para o Sul do país.
Em 2006, o decreto de racionamento vigorou durante 75 dias (de 22 de maio a 04 de agosto). Nesse período, segundo o Samae, os caxienses economizaram 4 milhões de litros água/dia - consumo equivalente a quatro vezes a população da cidade. No início do decreto, a barragem do Faxinal estava 4,78 metros abaixo do nível normal. A Maestra registrava -7,76 metros.


Caxias do Sul

Duplicação de perimetral ajuda a desafogar trânsito


 

Inaugurada no sábado 12, a segunda etapa da duplicação da Perimetral Norte está beneficiando cerca de 100 mil caxienses. Com 953 metros de extensão, duas novas rótulas - ruas Atílio Andreazza e Conselheiro Dantas - e acesso à BR-116, a execução conclui a duplicação da Av. Ruben Bento Alves. Incluindo os 630 metros da primeira fase, entregues em dezembro de 2007, a Prefeitura investiu no projeto mais de R$ 5 milhões.
Na cerimônia, o prefeito José Ivo Sartori acionou a sinaleira do novo acesso à rodovia federal, que permite o ingresso sem necessidade de retorno. Sartori também sancionou a lei (6.822) que denomina a rótula com a rua Atílio Andreazza de Hercílio Randon.
A obra, essencial para desafogar o trânsito em uma das regiões mais movimentadas de Caxias, consiste em duas novas pistas e reformulação total das vias já existentes, e foi desenvolvida harmonicamente com um projeto de paisagismo e urbanização. Alem de integrar um programa idealizado pela Administração com o objetivo de melhorar a problemática infra-estrutura viária da cidade, a obra conclui o anel viário, concebido há 16 anos.
A rótula da Atílio Andreazza com a Ruben Bento Alves foi ampliada de 12 para 25 metros. No entroncamento da Rua Conselheiro Dantas com a Perimetral foi construída uma rótula, com o propósito de descentralizar o tráfego e criar novas alternativas de deslocamento.


Cultura da Imigração

O italiano que está em mim

José Bebber

Flores da Cunha - RS

 

“Nasci no Travessão Camargo, Capela São Paulo, Flores da Cunha - RS, em 21/11/1946. Sou o 12º de 13 filhos de Antônio Bebber e de Catharina Trentin, que completariam em 2007 o seu centenário. Neto paterno de Antônio Bebber, procedente do Império Austro-Húngaro, chegado à sede da colônia em 4-2-1883. Minha avó paterna é Carolina Tronco, aqui nascida, cujos pais vieram da província de Belluno, em 1884. Os avós maternos, Francesco Trentin e Theresa Fracasso, são da província de Vicenza, aqui chegados em 1883.
Na colônia, todo o trabalho era manual, auxiliado apenas pelas mulas que puxavam a carroça e o arado. Plantávamos o necessário ao sustento em terreno muito pedregoso. Com cinco hectares de parreiral, fabricávamos vinho que vendíamos na Cooperativa São Pedro, da qual éramos sócios.
Nossa casa e cozinha eram de tábuas largas e listadas. A cozinha era coberta de scàndole e a casa de telhas de barro. O fogão era o fogolaro; a pia de lavar era o secèr de legno. A casa distava 30 metros da cozinha, o porão servia de cantina, o 1º andar era uma sala grande e dois dormitórios. No sótão havia quatro dormitórios com duas camas de casal cada. Os colchões de scartosse (palhas de milho), os travesseiros de penas de galinha e os acolchoados de lã de ovelha.
Vivi um tempo antes da eletricidade, da água encanada, do rádio, TV, geladeira... Eram poéticos os ciareti, ndar a filò coi lampioni, ndar tor aqua co le sece, che se le picava in cosina sora el secer.
Falava Talian. Estudava em São Martinho, a 1,5 km de distância, depois, na Linha Cem, longe 2,5 Km, que fazia a pé, em estradas barrentas no inverno, com chinelos de borracha que nós mesmos fazíamos. Nossas fontes de leitura, que muito ajudaram nossa formação, eram o Correio Riograndense e a revista Voz de Assis, que papai assinava.
Todas as noites rezávamos o terço em família, que chegou até a 14 pessoas. Tinha que superar o cansaço e a dor de joelhos. Com a chegada do caminhão, aos domingos de manhã fazíamos 5 km, na carroceria, para chegar à missa na cidade; à tarde íamos rezar o terço na capela, onde o pai conduzia as orações e o canto das ladainhas, em latim. Ficar na bodega, jogar cartas, olhar quem jogava bochas, brincar com carrinho de lomba... era nosso lazer.
Sem preocupações com o ter, trabalhava-se para ter com que viver, despreocupados, alegres, assobiando e cantando mágoas e alegrias. Em 1973 fui morar na cidade de Flores da Cunha. Com 27 anos, reiniciei os estudos, concluí o primário, fiz o 2º grau e Administração de Empresas. Trabalhava de dia e estudava à noite. Fui operador de máquinas em fábrica de móveis, fiz serviços de escritório, fui executivo e, finalmente, corretor de imóveis. Hoje, aposentado, realizo vários serviços voluntários na Igreja Católica.
Casei com Elaine Brugnera, temos os filhos Lucas e Tiago. Falamos o talian porque é nossa língua-mãe. À medida da compreensão do seu valor, os jovens também voltarão a falar, participar de corais, cantando Mèrica, Mèrica; La Bella Violeta; Quel Massolin de Fiori..., trajados com calças de brim diamantino, camisas de riscado, chinelos de couro e chapéus de palha. A 22-7-2007, reunimos os descendentes de Antônio e Catharina, nossos pais, celebrando seu centenário de nascimento, (1907-2007) na comunidade São Paulo, Flores da Cunha, com missa presidida por nosso irmão, dom Frei Osório Bebber, almoço e tarde festiva. Foi emocionante! (josebebber@terra.com.br; Fone: 54 3292 2774)


Especial

Gênesis - O livro da criação

Pedro Kramer

Padre, prof. de Bíblia na PUCRS, Estef e Faculdade Palotina

O Gênesis faz parte de um conjunto de cinco livros. Em língua grega, são chamados de ‘Pentateuco’ (penta-teuchos biblos), livro em cinco volumes. Em língua hebraica, são denominados de ‘Lei’ (Torá). O livro do Gênesis é o primeiro dessa coleção - a palavra ‘gênesis’ significa “princípio, início, começo”. Ele trata da criação do mundo por Deus, da origem da humanidade e dos antepassados do povo de Israel. O texto a seguir é introdutório ao primeiro módulo do Curso de Teologia a Distância - edição 2008, Gênesis, cujas lições começam a ser divulgadas na semana que vem, e foi escrito por Pedro Kramer, responsável pelo módulo.

 

O livro do Gênesis se subdivide em duas partes desiguais. A inicial compreende os primeiros onze capítulos (Gn 1-11). A segunda parte é muito maior. Ela se compõe dos capítulos 12 até 50 (Gn 12-50). Na primeira parte encontramos duas descrições diferentes da criação do mundo e da humanidade (Gn 1-3). Em Gn 4,1-16 descreve-se o assassinato de Abel por Caim; a descendência de Caim é apresentada em Gn 4,17-24; e em Gn 4, 25-26 fala-se de Set e de sua descendência.
Em Gn 5,1-32; 10,1-32 e 11,10-32 podemos conhecer pessoas muito famosas que tiveram várias gerações de descendentes. Entre esses homens e essas mulheres tão célebres, Henoc se destaca (Gn 5,21-24). Ele vivia tão unido a Deus, era tão amigo dele e andava sempre na sua presença, então Deus o arrebatou para junto de si, sem precisar morrer. Como nós gostaríamos que o mesmo acontecesse conosco também! E após uma longa vida. Dele se diz que ele viveu 365 anos (Gn 5,23). Aliás, de Adão se fala que viveu 930 anos e Set, 912 anos (Gn 5,5.8). Será que o redator bíblico queria expressar que uma vida longa, realizada, de serviço incansável pelas pessoas e de aliança e parceria fiel com Deus era recompensada através da duração tão elevada de anos? Parece que o jeito dele, para destacar a qualidade da vida de uma pessoa neste mundo, era a elevação dos anos de vida de alguém. Nesses capítulos do livro do Gênesis nós também encontramos uma excelente sugestão para escolher nomes bíblicos para os filhos.
Nos capítulos, Gn 6,1-9,17, fala-se de Noé e sua família e como eles foram salvos das águas do dilúvio. A primeira parte do livro do Gênesis termina com a descrição da construção da torre de Babel (Gn 11,1-9).
A parte central e mais importante dos onze primeiros capítulos é o bloco Gn 6-9. Seu destaque não só provém por ele se situar no meio do conjunto, Gn 1-11, tendo como moldura interna duas genealogias, Gn 5 e 10, mas porque a perícope, Gn 6-9, é muito bem estruturada. Os biblistas chamam esse esquema de ‘quiasmo palindrômico concêntrico’. Mas, por favor, não se assustem com esse ‘palavrão’! Ele é como um ‘hamburguer’, onde as partes se relacionam e se correspondem.


Especial

A história de José e seus irmãos


 

Em Gn 37-50 recebem destaque especial José e seus irmãos. A inveja, o ciúme e a hostilidade dos irmãos são tamanhas que eles vendem seu irmão José como escravo a estrangeiros. Estes o revendem a um funcionário importante da corte no Egito. José, difamado, cai na prisão. Daí ele saiu porque tinha uma grande capacidade de interpretar sonhos. A interpretação exata dos sonhos do faraó foi premiada com sua nomeação como primeiro ministro na corte do faraó. E nesta condição de alto mandatário no palácio do rei do Egito ele se reencontra com seus irmãos. Isto aconteceu por causa de uma prolongada seca na terra de Canaã. A seca frustrou colheitas abundantes e provocou muita fome no país de Canaã. As pessoas foram obrigadas a procurar alimento no Egito. Os irmãos de José também foram ao Egito a fim de comprar alimento. E num desses encontros, José dá-se a conhecer. Ele convida não só seus irmãos, mas toda a família de Jacó a se mudar para o Egito. Assim a história de José e seus irmãos tem um final feliz: todos eles, com seus pais, se reencontram no Egito, onde viveram unidos e na fartura de alimento. O ponto alto e emocionante é a bênção do patriarca Jacó a seus filhos, antes de morrer (Gn 49,1-33). Os funerais de Jacó e de seu filho José são descritos em Gn 50,1-26.
Esta breve síntese da história de José e seus irmãos em Gn 37; 39-50 é um pouco mais complexa para quem for ler esses capítulos com mais atenção. Com relativa facilidade pode-se perceber que os mesmos fatos ou nomes encontram-se repetidos na história de José e seus irmãos. Eis alguns exemplos:
1. O pai de José e seus irmãos é ora chamado de Jacó - Eis a história de Jacó (Gn 37,1s) -, ora de Israel - Israel amava mais a José do que a todos os seus outros filhos ... (Gn 37,3). Nós encontramos o mesmo fenômeno em Gn 46,1-8, especialmente no v. 2: Deus disse a Israel numa visão noturna: ‘Jacó! Jacó!’ E ele respondeu: ‘Eis-me aqui’. E também em Gn 46,26-30: Total das pessoas da família de Jacó que vieram para o Egito: setenta (v. 27). José preparou seu carro e subiu ao encontro de seu pai Israel em Gessen (v. 29).

2. Primeiramente, destaca-se que o ódio dos irmãos em relação a José é provocado pelo amor preferencial do pai deles por José, expresso pela túnica adornada: Seus irmãos viram que seu pai o amava mais do que a todos os seus outros filhos e odiaram-no e se tornaram incapazes de lhe falar amigavelmente (Gn 37,3s). E, logo a seguir, enfatiza-se que o ódio dos irmãos é causado pelo tipo de sonhos de José: Ora, José teve um sonho e o contou a seus irmãos, que o odiaram mais ainda. ... Seus irmãos ficaram com ciúmes dele, mas seu pai conservou o fato na memória (Gn 37,5-11).

3. Os irmãos de José tramaram sua morte (Gn 37,18). Em Gn 37,18-25a, no entanto, a vida de José é salva pela intervenção de Rúben: Mas Rúben, ouvindo isso, salvou-o de suas mãos. Um pouco mais adiante, fala-se que foi Judá que salvou a vida de José: Então disse Judá a seus irmãos: ‘De que nos aproveita matar nosso irmão e cobrir seu sangue? Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas ... (Gn 37,25b-30).

4. José foi vendido por seus irmãos a um grupo de negociantes. No mesmo versículo alude-se à venda de José a madianitas: Quando passaram os mercadores madianitas, eles retiraram José da cisterna (Gn 37,27a). Na segunda parte deste mesmo versículo, diz-se que José foi vendido a ismaelitas: Venderam José a ismaelitas por vinte siclos de prata e estes o conduziram ao Egito (v. 28b). Em Gn 37, 36 verifica-se que os madianitas compraram José. E estes o venderam a Putifar: Entretanto os madianitas venderam-no, no Egito, a Putifar, eunuco do Faraó e comandante dos guardas (Gn 37,36).

5. Em Gn 41,53-57 constata-se que os sete anos de abundância, que houve na terra do Egito, chegaram ao fim e começaram os sete anos de fome. No v. 54 afirma-se que havia fome em todas as terras, mas havia pão em todas as regiões do Egito. Portanto, não havia fome no Egito. Mas, depois os vv. 55s revelam que toda a terra do Egito sofreu fome. ... Agravou-se ainda mais a fome na terra do Egito.

6. O dinheiro usado pelos irmãos de José para pagar as sacas de trigo foi restituído e colocado nas sacas. Em Gn 42,25-28 narra-se que o dinheiro devolvido na saca de trigo foi percebido à noite do primeiro dia de viagem: Mas quando um deles, de noite, no acampamento, abriu a saca de trigo para dar forragem a seu jumento, viu que seu dinheiro estava na boca da saca de trigo (v. 27). Em Gn 42,29-35 percebe-se apenas o dinheiro restituído nas sacas de trigo no fim da viagem, na casa de Jacó, na terra de Canaã: Voltando para a casa de Jacó, na terra de Canaã, contaram-lhe tudo o que lhes sucedera. ... Quando eles esvaziavam suas sacas, eis que cada qual tinha em sua saca a bolsa de dinheiro (vv. 29.35).

7. José dá-se a conhecer a seus irmãos e esta revelação de José é descrita duas vezes. A primeira auto-apresentação de José é contada em Gn 45,3: José disse a seus irmãos: ‘Eu sou José! Vive ainda meu pai?’. A mesma auto-apresentação de José é descrita uma segunda vez: Então disse José a seus irmãos: ‘Aproximai-vos de mim! E eles se aproximaram. Ele disse: ‘Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito” (Gn 45,4).

8. O convite para Jacó e sua família, a fim de se estabelecer no Egito, é também contado de modo repetido. Uma vez é José que o convida a morar no Egito: Subi depressa à casa de meu pai e dizei-lhe: ‘Assim fala teu filho José’: Subi depressa à casa de meu pai e dizei-lhe: ‘Assim fala teu filho José’: Desce sem tardar para junto de mim. Tu habitarás na terra de Gessen, e estarás junto de mim, tu, teus filhos, teus netos, tuas ovelhas e teus bois, e tudo o que te pertence (Gn 45,9-13). O mesmo convite para Jacó e sua família, a fim de viver no Egito, é repetido por José. Só que agora José o repete a pedido do faraó: ‘Assim falou o Faraó a José’: Dize a teus irmãos: Tomai vosso pai e vossas famílias e voltai para mim: eu vos darei a melhor terra do Egito e comereis da fartura da terra (Gn 45,16-20).
Esses exemplos, contendo repetições e divergências, levam-nos a concluir que existiam diferentes versões sobre a história de José e seus irmãos. O redator final não queria que nenhuma delas se perdesse, por isso, ele integrou essas várias versões numa só história. Deste fato nós podemos deduzir a importância que elas tinham para ele. Em vista disso, vamos agora nos perguntar pelo sentido que a história de José e seus irmãos tem e qual é a mensagem que o redator final de Gn 37; 39-50 nos quer transmitir.


Especial

Matriarcas e patriarcas de Israel


 

A segunda parte do livro do Gênesis é mais longa. Ela compreende os capítulos 12 a 50. No conjunto de capítulos Gn 12-36, encontramos muitas histórias de casamento, de geração de filhos e filhas, de preferências e rejeições de pessoas, de brigas, ciúmes, amor verdadeiro, de busca de Deus e de encontro com Ele. As pessoas mais destacadas neste bloco são Abraão, as mulheres Sara, Agar e Cetura e Ló, sobrinho de Abraão. Depois ressalta-se o patriarca Isaac, casado com Rebeca, e seus filhos Jacó e Esaú. A seguir, conta-se a história do patriarca Jacó, das mulheres Lia, Zelfa, Raquel, Bala e seus respectivos filhos e a filha Dina.
As relações entre esses patriarcas e essas matriarcas com seus respectivos filhos, netos, bisnetos, empregados e estrangeiros se assemelham muito com as relações das pessoas entre si hoje. Relações boas e más entre mulheres e homens, pais e filhos, irmãos e irmãs, parentes e amigos, com vizinhos, empregados e estranhos.


Especial

Renúncia ao ódio, convite ao perdão


 

A história de José e seus irmãos contém um tema muito pertinente: o apelo à renúncia ao ódio e à vingança e o convite ao perdão e à reconciliação. Nós já vimos ao lado que a preferência de Jacó por José, explicitada pela túnica adornada, ou pelos sonhos que José tinha e contava aos irmãos, gerou nos irmãos um ódio mortal contra José (Gn 37,3-11). Graças a Rúben ou a Judá, José não foi morto, mas vendido como escravo por vinte siclos de prata, ora a mercadores madianitas, ora a ismaelitas (Gn 37,28-36). No Egito, José foi exaltado pelo faraó como administrador de todo o povo egípcio e de todos os bens do faraó (Gn 41,37-49). Ele, nessa instância de poder e força, poderia ter se vingado de seus irmãos quando vieram ao Egito comprar alimento (Gn 42,1-24; 43,1-34). José, no entanto, age com perdão e reconciliação: Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito. Mas agora não vos entristeçais nem vos aflijais por me terdes vendido para cá, porque foi para preservar vossas vidas que Deus me enviou adiante de vós (Gn 45,5-8). Será que este lance na história de José e seus irmãos não é um veemente apelo à reunificação dos israelitas, divididos em dois Reinos e em guerras fratricidas?
Outra mensagem muito importante que a história de José e seus irmãos contém é a percepção da ação de Deus presente nos acontecimentos da vida das pessoas. Há várias passagens que mostram como nos fatos da vida Deus é o Senhor da história. A devolução do dinheiro, pago pelo trigo, e presente nas sacas de trigo dos irmãos, provocou neles surpresa e medo. Por isso exclamam: Que é isto que Deus nos fez? (Gn 42,28). Ou o reconhecimento do mal, que os irmãos fizeram a José, leva-os a proclamar: Foi Deus quem mostrou a falta de teus servos (Gn 44,16). No final da história de José e seus irmãos, encontramos esta frase de José: O mal que tínheis intenção de fazer-me, o desígnio de Deus o mudou em bem, a fim de cumprir o que se realiza hoje: salvar a vida a um povo numeroso (Gn 50,20). Há ainda outros ensinamentos que, noutra oportunidade poderemos tratar e profundar.
Esses são os assuntos mais importantes no livro do Gênesis que vamos conhecer melhor através das dez lições que seguem. Seu aprendizado é tanto maior e mais profundo quanto mais você ler as perícopes indicadas do livro do Gênesis. Por isso, com o livro do Gênesis aberto, vamos nos familiarizar com ele.
O texto que você está lendo é apenas um corrimão a nos guiar para que possamos nos adentrar no livro do Gênesis. O que importa mesmo é a leitura do texto bíblico! O livro do Gênesis, no entanto, como qualquer livro bíblico, não pode ser lido como um livro moderno. Este tem uma seqüência própria: inicia com o prefácio, depois segue o primeiro capítulo e assim por diante. O Gênesis não é assim. A parte mais antiga é Gn 2,4b-3,24 e não Gn 1,1-2,4a. Por isso vamos iniciar as lições analisando primeiramente Gn 2,4b-3,24 e depois Gn 1,1-2,4a. Ambos relatam a criação do mundo bem como a origem do homem e da mulher.


Frei Betto

O elo perdido

Frei Betto

Autor de Sinfonia Universal (Ática)

Nós somos o elo que andava perdido. No entanto, ele sempre esteve na nossa frente. Basta-nos olhar no espelho

 

Há tempos a ciência investiga o elo perdido entre o macaco e o homem. Já há consenso de que Darwin tinha razão. Até o Papa João Paulo II, que não era de dar o braço a torcer, admitiu a pertinência do darwinismo. O que obrigou os bispos da Argentina, adeptos fundamentalistas do criacionismo, a suspender, nas escolas católicas, o ensino de que entre Deus e nós não houve outro intermediário senão Adão e Eva.
Os criacionistas não podem ir além da idéia de um deus oleiro que, tendo brincado com argila e soprado o barro, deu vida às maquetes humanas. Se dessem um passo a mais na genealogia do primeiro casal ficariam encalacrados. Se Adão e Eva tiveram apenas dois filhos machos, Caim e Abel, como se explica essa vasta descendência da qual fazemos parte? Seríamos todos filhos e filhas de um paradisíaco incesto?
Adão e Eva têm a ver com o costume de mandar o chato plantar batatas. Ao encontrar esta expressão em documentos de mil anos atrás, os arqueólogos do ano 3008, desprovidos de maiores explicações, podem ser levados a acreditar que, em nossa época, quando o sujeito se irritava com outro, tratava de mandá-lo cultivar batatas, o que certamente explicaria a abundância deste tubérculo na dieta dos humanos nos primórdios do século XXI...
Como os antigos hebreus não freqüentaram a universidade e, portanto, estavam isentos da linguagem acadêmica, abstrata, em toda a Bíblia não há uma só aula de doutrina ou teologia. Sua linguagem é a do mineiro, à base de “causos”. Vê-se o que se lê. A linguagem plástica transforma conceitos em imagens. Assim, o vocábulo hebraico ‘terra’ deu origem a Adão, e ‘vida’ a Eva.
Bem, voltemos ao elo perdido antes que ele também se perca. A Bíblia quer ensinar apenas que Deus é o criador do Universo, incluído os humanos que, embora obra divina, padecem de duas limitações intransponíveis: têm prazo de validade e defeito de fabricação. O que a doutrina cristã chama de pecado original.
Isto é óbvio: todos morrem um dia, malgrado as academias de letras repletas de imortais, e não são poucos os que demonstram grandes defeitos de fabricação - ao longo da vida tornam-se corruptos, mentirosos, oportunistas, segregadores, machistas, cínicos. Em suma, homens sem qualidade, diria Musil. E muitos com uma curiosa tendência para a política.
Quando teria se dado o salto do símio ao humano? No dia em que um macaco utilizou um pedaço de pau como extensão das mãos, como mostra Stanley Kubrick no filme “2001, uma odisséia no espaço?” Ou no dia em que o orangotango decidiu, ao contrário de toda a família zoológica, deixar de comer apenas quando tem fome e marcar hora para as refeições? Teria sido naquela tarde de sábado em que o macaco temperou a caça com pimenta e assou na brasa que restara de uma queimada produzida pelo relâmpago, sem saber que inventava o churrasco?
Um verdadeiro humano seria uma pessoa dotada de criatividade. Quem já viu uma casa de joão-de-barro com uma varandinha ou um puxadinho para abrigar o filho recém-casado? Ocorre que a criatividade é também - e, em geral, sobretudo - um atributo dos bandidos. Talvez seja melhor caracterizar o humano por suas virtudes: uma pessoa generosa, altruísta, ética, solidária, amorosa, capaz de partilhar seus bens e dons. Isso existe?
Se estivermos de acordo que isso ainda é um projeto, uma perspectiva, um sonho, então há que aceitar: o elo perdido entre o macaco e o homem somos nós, essa cadeia de mamíferos que começa com a curiosidade de Adão e Eva, que foram meter o nariz onde não eram chamados, à geração atual contemporânea de Bush e Bin Laden! Aliás, dois bons exemplos da espécie pré-humana que, como os macacos, têm o rabo preso; onde metem os pés criam uma bananosa; e vivem invadindo o espaço alheio.
Nós somos o elo que andava perdido. No entanto, ele sempre esteve na nossa frente. Basta-nos mirar no espelho. O verdadeiramente humano virá no futuro. Isso se adquirirmos um pouco de vergonha na cara. Caso contrário, o próprio elo haverá de se perder e o projeto humano quedará como uma utopia. Talvez realizável em algum outro planeta onde haja abundância disto que tanto falta por aqui: vida inteligente.
Ou quem sabe o Criador decida passar a limpo sua criação pela segunda vez. Duvido que Ele vá destruí-la com um novo dilúvio. A água é, hoje, um bem escasso. Deus é generoso, não perdulário. Talvez o aquecimento global seja o primeiro indício de que tudo haverá de virar cinza. Então um novo Gênesis terá início.
Desconfio que, no sexto dia, Deus criará animais inaptos a desenvolver uma cadeia evolutiva. E, no sétimo, se recostará em sua rede no Jardim do Éden, porque ninguém é de ferro, e contemplará a beleza do Universo - agora livre da ameaça de um perigoso predador descendido dos macacos, o elo entre o que já não é e o que nunca foi.


Geral

La Salle Carmo celebra 100 anos de fundação


Colégio foi homanegeado pelo Legislativo caxiense

 

O Colégio La Salle Carmo está completando 100 anos. Em homenagem ao centenário da instituição de ensino, a Câmara de Vereadores realizou Sessão Solene, na quinta 10, proposta pelos parlamentares Francisco Spiandorello e Geni Peteffi, e aprovada por unanimidade.
“Nós, representantes da população neste Poder Legislativo, demonstramos o sentimento de gratidão e reconhecimento a esta entidade que soube compreender, educar, construir e integrar, com os objetivos da ordem, educação, paz e cidadania”, discursou Spiandorello, em nome dos vereadores. O presidente da Câmara, Edio Elói Frizzo, entregou uma placa em comemoração à data ao diretor do colégio, irmão Olir Fachinello.
Representando o provincial Marcos Corbelin, o irmão Paulo Fossati disse manifestar apreço pela cidade que mais uma vez os acolhe. “Temos a certeza que além de uma bela história a recordar, o colégio terá um futuro brilhante para celebrar”, completou.
Além dos vereadores, prestigiaram o evento o deputado federal Ruy Pauletti, a deputada estadual Marisa Formolo e o Secretário Municipal de Esporte e Lazer José Luiz Plein Filho, entre outras autoridades.


Geral

Municípios convivem com estiagem e chuvas ao mesmo tempo no Sul


Prefeitos de 157 cidades decretaram emergência

 

O Rio Grande do Sul vive um paradoxo climático: estiagem e chuvas em excesso. No último final de semana, em cidades do Noroeste do Estado, choveu mais que nos últimos três meses. Em Crissiumal e Iraí, por exemplo, a chuva variou de 250mm a 300mm. Em Palmeira das Missões, o granizo atingiu cerca de 10 mil casas.
Por outro lado, uma comitiva de prefeitos, liderados pelo presidente da Famurs, Flavio Lammel, está no Ministério da Integração Nacional para solicitar o apoio do governo federal ao problema da estiagem - 91 municípios do RS decretaram situação de emergência e outros 66 de SC. Os pedidos passam pela construção de redes de água, microaçudes e prorrogação dos financiamentos do Pronaf.
Além desses, 36 municípios tiveram homologados e aprovados decretos de emergência em função dos prejuízos ocorridos pelos temporais e chuva de granizo em outubro de 2007. Vão receber R$ 6,2 milhões.


Geral

RS tem 189 cidades que podem emitir licenciamento ambiental


Das 250 aptas em todo país, 75% são gaúchas

 

Dos 250 municípios brasileiros que estão aptos a realizar o licenciamento ambiental, 189 são gaúchos. Apesar do número parecer reduzido, em relação aos 496 do Estado, os já aptos são os mais populosos do Rio Grande do Sul.
A obrigatoriedade da municipalização do meio ambiente encerra em 2009. Está prevista na Resolução do Conselho Estadual do Meio Ambiente, informa o consultor da área ambiental da Federação dos Municípios do RS (Famurs), Valtemir Goldmeier.
Anterior ao processo de descentralização, as licenças ambientais para todos os empreendimentos, de todos os municípios do Estado, eram emitidas pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

Cursos - Para incrementar o processo, nos dias 29 e 30 de abril será realizado o curso “Defesa do Município”, junto à Fepam e ao Consema. Durante os dias 6 e 7 de maio, na sede da Famurs, ocorre o curso de Licenciamento Ambiental. Informações (51) 3230.3100 e www.famurs.com.br

Amlinorte - A Associação de Municípios do Litoral Norte (Amlinorte) promove dia 25 de abril, em Capão da Canoa, o I Fórum Litoral em Foco - planejando o futuro e construindo políticas públicas de desenvolvimento e soluções para o Litoral Norte.


Geral

Representante da Serra vai à final do Miss Itália


Jovem de São Marcos disputa etapa mundial

 

Na etapa nacional do concurso Miss Italia Nel Mondo, Catiane Fredrez, 19 anos, de São Marcos (RS), foi coroada Miss Itália Amazônia. As outras três representantes da Serra, Aline Smiderle, de Flores da Cunha; Amanda Nichele e Nicole Oliboni, ambas de Caxias do Sul; escolhidas na etapa estadual, não foram premiadas.
Juntamente com a grande vencedora Renata Marzolla, 18, de Salvador, eleita Miss Itália Brasil; e Cristiane Pinzan, 17, do Paraná, vencedora do título Miss Sul América; a gaúcha Catiane representará o país na final mundial do concurso, que ocorre em junho, em Veneza, Itália.
O concurso foi realizado no sábado, 12, em São Paulo. Ao todo, 20 candidatas, representantes de dez Estados brasileiros, disputavam uma vaga na final.


Geral

Gaúcha de Roca Sales é a nova Miss Brasil


 

Natália Anderle, natural de Roca Sales (RS), foi eleita Miss Brasil 2008. Ela recebeu a coroa da mineira Natália Guimarães, Miss Brasil 2007. O segundo lugar ficou com a cearense Vanessa Vidal, deficiente auditiva, e o terceiro com Cyntia Cordeiro de Oliveira, representante de Goiás. O concurso foi realizado no domingo, 13, em São Paulo. As 27 candidatas desfilaram com diferentes trajes e foram avaliadas pelos jurados.
No Miss Rio Grande do Sul, Natália Anderle representou a cidade de Encantado, onde mora atualmente, e superou 66 candidatas. Natália tem 22 anos e trabalha como esteticista. Ela pretende prestar vestibular para Medicina e conciliar os estudos com os compromissos de miss.


Igreja

Bispos brasileiros sofrem ameaças


CNBB cobra proteção e investigações rigorosas

 

Diversos bispos que atuam em dioceses do Norte do país estão sofrendo ameaças de morte por causa do trabalho social e pastoral que desenvolvem na defesa dos fracos e oprimidos. Entre os que mais sofrem ameaças está o bispo de Altamira (PA), dom Erwin Krautler, presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
Dom Erwin atuou com irmã Dorothy Stang, assassinada há três anos. Hoje, dom Erwin vive sob a permanente proteção de policiais militares do Estado do Pará. “Estou livre no meu quarto e no meu escritório. Fora, sou sempre acompanhado por policiais”, disse o bispo durante a 46ª Assembléia Geral da CNBB, encerrada na sexta-feira 11.
Também sofrem perseguições e ameaças o bispo da prelazia do Marajó (AM), dom Luiz Azcona Hermoso; dom Flávio Giovenale, da diocese de Abaetetuba (PA); e dom Roque Paloschi, da diocese de Roraima. Mas dom Roque lembrou que há também padres, religiosas, agentes de pastoral e até comunidades sob sérias ameaças.
Diversas são as causas que eles defendem e pelas quais sofrem perseguições e intimidações de latifundiários, madeireiros e grileiros - povos indígenas; trabalho escravo, exploração sexual; destruição ambiental; devastação das florestas...
Numa nota de solidariedade a esses bispos, divulgada pela CNBB no dia 9 de abril, os bispos destacam que “qualquer agressão a eles atinge a todos nós, seus irmãos no ministério episcopal, e ao povo a quem servem com destemido zelo e corajosa profecia”. Na nota, A CNBB cobra investigações e proteção para os ameaçados.


Igreja

Aparecida inspira ação evangelizadora


Bispos aprovam as Diretrizes Gerais para os próximos três anos

 

Concretizar uma evangelização inspirada na Conferência de Aparecida. Esse é o grande desafio que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assumiu ao encerrar sua 46ª Assembléia Geral. Para isso, os bispos que participaram do encontro aprovaram o documento das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, texto que norteará as estratégias de apostolado nos próximos três anos.
“A aprovação das diretrizes tem um significado de fidelidade à história da CNBB e traduz a abertura à novidade que foi a Conferência (dos bispos da América Latina e do Caribe) de Aparecida”, disse o presidente da Comissão de Redação do novo documento, dom Celso Antônio Queirós. “A novidade deste documento vem de uma atualização da preocupação da Igreja de transformar-se em uma Igreja missionária. As diretrizes dão um passo novo e grande, à luz do clima da Conferência de Aparecida, que foi voltada para a missão da Igreja como discípula e missionária”, completou dom Celso.
O secretário-geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, salienta que as diretrizes não são propriamente um projeto ou um plano pastoral, mas “grandes linhas básicas a partir das quais cada diocese do Brasil vai depois organizar os seus planos de pastoral”. O presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha, considera que a principal característica das novas diretrizes é assimilar as contribuições da Conferência de Aparecida. “O próprio tema da Conferência acabou se transformando no grande lema que vai se repetindo como se fosse um refrão: Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n’Ele nossos povos tenham vida”.
O documento é dividido em cinco capítulos. O primeiro apresenta uma visão pastoral da realidade sócio-econômica e política do Brasil. O segundo mostra os desafios pastorais; o terceiro, dá uma resposta a esses desafios, colocando a Igreja em estado permanente de missão. O quarto indica pistas de ação pastoral nas pessoas, comunidades e sociedade; e o quinto trata da missão continental.
O texto, aprovado pelos 307 bispos que participaram da 46ª Assembléia Geral, realizada em Itaici (SP) de 2 a 11 de abril, passará por uma revisão antes de ser publicado. O documento deverá estar nas livrarias em dois meses.


Igreja

CNBB na luta contra a corrupção eleitoral


 

Além da aprovação das Diretrizes Gerais, documento referência para o planejamento pastoral, os bispos reunidos em Itaici elegeram os delegados para o Sínodo dos Bispos que será realizado em Roma de 5 a 26 de outubro; e trataram sobre assuntos de Liturgia e Comissão de Doutrina.
Os bispos também fizeram uma análise de conjuntura sócio-político-econômica e eclesial do país, trataram sobre pastoral afro-brasileira, o projeto nacional de evangelização, família e questões éticas, aquecimento global, aplicação das conclusões da Conferência de Aparecida, missão continental, entre outros temas.
Durante a assembléia a CNBB lançou um novo projeto de lei de iniciativa popular contra a corrupção eleitoral, em conjunto com cerca de 40 entidades; e emitiu notas em defesa da vida humana e de solidariedade aos bispos ameaçados de morte (matéria na página 17).


Igreja

Caminhada promove cuidado com a vida e a itinerância


 

Com o objetivo de promover o cuidado com a vida, a minoridade e a itinerância, cerca de 70 pessoas percorreram os 30 quilômetros do 6º Caminho de São Francisco, realizado nos dias 12 e 13 de abril, entre São Paulino e Ipê. O início da caminhada foi marcado por uma bênção do pároco, frei Paulo Canton. No sábado, ao meio-dia, a comunidade de Santo Antão acolheu os peregrinos para o almoço e acompanhou os caminhantes até a gruta Nossa Senhora de Lourdes.
A janta e o pernoite ocorreram junto às famílias da comunidade de Segredo. A chuva, no domingo de manhã, não impediu a caminhada. A comunidade de São Brás preparou o almoço e, às 15 horas, os romeiros foram acolhidos pelos freis Germano Miorando e Raul Susin na matriz de Ipê, onde houve celebração.
Participaram do 6º Caminho religiosos (as), formandos (as), vocacionados (as) e leigos que admiram e cultivam o espírito franciscano. “Passamos por seis comunidades e, entre uma e outra, muitas pessoas juntavam-se a nós, rezando e cantando num espírito de comunhão. Em cada localidade, o grupo fazia um momento de celebração e plantava uma muda de ipê”, relata frei Claudecir Fantini, um dos coordenadores da caminhada.


Igreja

EUA é país mais religioso do mundo


Mas a Igreja Católica é a que mais tem fiéis que mudam de religião

 

Desde 15 de abril, até o domingo 20, o Papa Bento XVI estará nos Estados Unidos, país que, junto com a Polônia, mais recebeu visitas pontifícias na história, afora a Itália - nove vezes. E junto com a Turquia, o que mais acolheu papas - três (Bento XVI, João Paulo II e Paulo VI). Diferentemente de João Paulo II, que na sua primeira viagem aos EUA, em 1979, visitou sete cidades e pronunciou 63 discursos, Bento XVI estará em duas cidades (Washington e Nova York) e fará apenas 11 discursos, um deles na sede da ONU, nesta quinta.
Da tribuna da ONU, Bento XVI falará ao mundo inteiro, no qual os católicos são pouco mais de um sexto da população. E nos Estados Unidos, os católicos são cerca de 70 milhões, apenas 23,9% da população do país, segundo uma pesquisa de afiliação religiosa do Fórum de Religião e Vida Pública, do centro Pew.
A nação que o Papa está visitando é um paradoxo. Os EUA são o país mais rico e mais poderoso da Terra, vanguarda da modernidade e, ao mesmo tempo, a nação mais religiosa do mundo, com forte dominação cristã - quase 80% (veja tabela abaixo). São um modelo de separação entre Igreja e Estado e, ao mesmo tempo, um país com marcante espírito religioso. Conforme a pesquisa do Pew Forum, apenas 1,6% se diz ateu e 2,4% agnósticos. Dos adultos americanos, 12,1% responderam que não são filiados a uma religião organizada, mas praticam alguma forma de religião.

Imigração - Os Estados Unidos registram um fenômeno relevante, que não se verifica em nenhum outro país - a mudança de religião. Nesse aspecto, a Igreja Católica é a que mais perde fiéis no país. Conforme o centro Pew, mais de 44% dos cidadãos americanos com mais de 18 anos trocaram a fé da infância por outra ou nenhuma religião, até mais de uma vez. E cerca de 33% dos que mudaram foram criados como católicos. Mas essa perda católica é compensada pela chegada de novos convertidos e de muitos imigrantes de outros países, sobretudo do México e da América Latina. Na diocese de Dallas, os católicos eram cerca de 200 mil há 20 anos e hoje já superam um milhão.
A imigração está mudando as características do catolicismo nos EUA. Segundo a pesquisa do centro Pew, de cada 100 católicos, 65 são brancos, 29 latinos; de cada 100 católicos com mais de 60 anos, 83 são brancos e 15 latinos, mas entre os que têm menos de 40 anos, 48 são brancos e 45 latinos. De cada 100 católicos, 76 nasceram nos EUA e 24 fora e desses, de cada 100, 52 nasceram no México e 30 em algum país da América Latina.


Igreja

Norte-americanos têm apreço pelo Papa


 

A maioria dos norte-americanos, mesmo aqueles que não são católicos, afirma ter uma impressão favorável ou muito favorável, de Bento XVI, revela uma pesquisa divulgada às vésperas da viagem do Papa aos EUA. A sondagem, feita pelo Marist College Institute for Public Opinion, mostra que 45% têm uma impressão favorável de Bento XVI; 65% têm uma visão favorável da Igreja Católica e apenas 28% têm uma visão negativa.
Dos entrevistados, 42% disseram que gostariam de ver o Papa durante essa viagem; 66%, que gostariam de participar de um dos eventos públicos de Bento XVI; e 70% que querem ouvi-lo falar de Deus no dia-a-dia. Por sua vez, o Papa não esconde sua admiração pelos Estados Unidos. “É um país que nasceu e tem seu fundamento sobre a verdade evidente que o Criador dotou cada ser humano de direitos inalienáveis, o mais importante dos quais a liberdade”, disse o Papa no dia 29 de fevereiro ao receber a nova embaixatriz dos EUA no Vaticano, Mary Ann Glendon.
Durante sua 8ª viagem apostólica internacional, Bento XVI completa 81 anos de vida, nesta quarta-feira 16 e, no dia 19, três anos de pontificado, mas o programa do Vaticano não prevê qualquer ato de celebração.


Igreja

Bento XVI quer participar do Encontro Mundial das Famílias


 

Uma viagem apostólica por ocasião do VI Encontro Mundial das Famílias (6º EMF) é o desejo que compartilham Bento XVI, o Pontifício Conselho para a Família, a Cidade do México e milhares de pessoas. Enquanto aguarda a decisão do Papa, o cardeal primaz do México, Alfonso López Trujillo, confirma a grande expectativa que uma possível visita suscitou entre os mexicanos.
O 6º EMF ocorrerá de 13 a 18 de janeiro de 2009, na Cidade do México, que se prepara para acolher cerca de dois milhões de pessoas. O encontro terá como tema “Família formadora nos valores humanos e cristãos”. Seguirá um esquema similar aos anteriores: um congresso teológico-pastoral (de 13 a 16), um encontro-testemunho festivo no sábado 17; e uma grande celebração eucarística de encerramento no dia 18, presidida pelo Papa.
Os Encontros Mundiais das Famílias foram idealizados por João Paulo II. O 1º e o 3º ocorreram em Roma (1994 e 2000), o 3º no Rio de Janeiro (1997), o 4º em Manila, Filipinas (2003) e o 5º em Valência, Espanha (2006).


Igreja

Vila Seca e Criúva celebram o Divino


Evento destaca fé dos açorianos e italianos que colonizaram a região

 

De 1º a 4 de maio, o distrito caxiense de Vila Seca promove a Festa do Divino Espírito Santo 2008. E de 9 a 18 de maio, a Festa do Divino ocorre em outro distrito de Caxias - Criúva. Ambos os eventos têm uma extensa programação religiosa e social.
Em Vila Seca, a festa será precedida, nos dias 26 e 27 de abril, da Cavalgada do Divino, que inicia às 10 horas, no santuário de Caravaggio, em Farroupilha, com previsão de chegada a Vila Seca, ao meio-dia do domingo 27. Serão cerca de 50 km de trajeto, com a participação de centenas de cavalarianos que revivem a fé dos antepassados e conduzem bandeiras e o estandarte do Divino.
Na programação religiosa, de 1º a 4 de maio, estão previstos o tríduo, com missas às 19h30 de 1º a 3 de maio (dia 3, missa crioula); e no dia 4, missa festiva com procissão e escolha dos novos festeiros, às 10 horas. Na programação social, destaque para as jantas, nos três dias do tríduo, a partir das 20h30; bailes no dia 2 com o grupo Sinuelo Pampeano e no dia 3 com os Monarcas; e almoço típico no dia 4.

Paróquia do Carmo - Na paróquia Nossa Senhora do Carmo, de Criúva, a Festa do Divino contará com novena, de 9 a 17 de maio, sempre às 19h30. No dia 10, 2ª noite da novena, haverá missa crioula. Todas as noites, após a celebração, será servido jantar, seguido de música. No dia 18, procissões preparatórias com a Banda Santa Cecília (9 horas); missa solene e procissão com o Esplendor do Divino (10h30); e almoço e churrasco ao meio-dia. Na parte da tarde, nomeação dos novos festeiros, reunião dançante, leilão de terneiros e sorteio de prêmios.

Devoção - Desde 1912, o Divino Espírito Santo é padroeiro de Vila Seca. Na ocasião, dom João Becker, arcebispo de Porto Alegre, de passagem pela região, abençoou a pequena capela de madeira, dedicada ao Divino. A partir de então, a vila nunca mais deixou de festejar seu padroeiro. Mais tarde, outras comunidades aderiram à festa do Divino, entre as quais a capela do Carmo, de Criúva, paróquia desde 1924, que, impulsionada pela devoção e dinamismo de seu pároco, padre Pedro Rizzon, tornou-se um evento de destaque na região. A festa do Divino nos dois distritos é essencialmente campeira, mas preserva antigas tradições trazidas ao Sul pelos açorianos.


Igreja

Ir. Rachel Dezen recorda 50 anos de consagração religiosa


 

Religiosa da congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo-Scalabrinianas, irmã Rachel Dezen (foto) celebra, no dia 20 de abril, 50 anos de consagração. O jubileu será comemorado na capela São João de Forqueta, Caxias do Sul. Uma missa de ação de graças, presidida por seu irmão, frei Gregório Dezen (capuchinho), e almoço de confraternização no salão da comunidade, com a presença de religiosas da congregação, familiares e amigos, marcarão a celebração jubilar.
Irmã Rachel nasceu aos 8 de maio de 1930 em Nova Pádua (RS), filha de José e Emília Masiero Dezen. Ingressou na congregação das irmãs scalabrinianas já adulta e fez sua profissão temporária no dia 11 de fevereiro de 1958. Emitiu os votos definitivos no dia 22 de dezembro de 1962.
A maior parte de sua vida religiosa foi desempenhada em hospitais da congregação, atuando como auxiliar de enfermagem em Vespasiano Correa, Serafina Correa, Muçum, Bento Gonçalves e, desde 1972, nos hospitais Cristo Redentor e Mãe de Deus, em Porto Alegre. Atualmente exerce suas atividades na Pastoral da Saúde no Mãe de Deus.


Igreja

São Marcos realiza a festa do padroeiro


 

A paróquia de São Marcos (RS) promove a festa do padroeiro (São Marcos), no dia 20 de abril. Na sexta-feira 11 iniciou a novena, com celebrações sempre às 19h30, que encerra no dia 19. No domingo 20, missa solene na igreja matriz às 10h30 e, após, tradicional almoço no salão paroquial. Nesta quarta 16, ocorre a Noite Ítalo-Gaúcha, com tortelada e show de J. Júnior no salão paroquial.
A paróquia de São Marcos é uma das mais antigas da região. Foi criada em 1904. É formada por 23 comunidades. Padre Osmar Possamai (pároco) e os padres Melchior Esaú Stuani e Jairo Grison (vigários paroquiais) atendem a paróquia de São Marcos e também a paróquia Nossa Senhora do Carmo, de Criúva.


Leonardo Boff

Educação eco-centrada

Leonardo Boff

Da Comissão da Carta da Terra

A humanidade não está acima nem frente à natureza, mas dentro dela como parte integrante e essencial

 

Há duas portas de entrada para a educação e para a socialização da vida humana: a família e a escola. Da família herdamos ou não o sentido da acolhida e da auto-confiança (da mãe) e o sentido dos limites e a percepção de valores éticos (do pai). A escola, além de repassar informações, se propõe o objetivo de criar as condições para a formação de pessoas autônomas com competência para plasmar o próprio destino e aprender a conviver como cidadãos participativos. A educação, nesta perspectiva, era centrada no ser humano e na sociedade.
Esse propósito correto é hoje insuficiente. Depois que irrompeu o paradigma ecológico, nos conscientizamos do fato de que todos somos ecodependentes. Não podemos viver sem o meio-ambiente, com seus ecossistemas, que incluído o ser humano, forma o ambiente inteiro. Somos um elo da comunidade biótica. A humanidade não está frente à natureza, nem acima dela como donos, mas dentro dela como parte integrante e essencial. Participamos de uma comunidade de interesses com os demais seres vivos que conosco compartem a biosfera. O interesse comum básico é manter as condições para a continuidade da vida e da própria Terra, tida como superorganismo vivo, Gaia.
O fato novo, até há pouco ausente na consciência coletiva da grande maioria e também de cientistas, é que todo o sistema de vida está correndo risco. É conseqüência de uma civilização produtivista/consumista/materialista que tem predominado nos últimos séculos, hoje globalizada. Ela fez com que a Terra perdesse seu frágil equilíbrio e sua capacidade de auto-regeneração. Temos que impedir que Gaia entre num processo de caos, buscando através dele um novo equilíbrio, mas à custa de pesados sacrifícios ecológicos como a dizimação de milhares de espécies, cataclismos, secas, inundações, insegurança alimentar em vastas proporções e, eventualmente, o desaparecimento de incalculável número de seres humanos.
A partir de agora a educação deve impreterivelmente incluir as quatro grandes tendências da ecologia: a ambiental, a social, a mental e a integral ou profunda (aquela que discute nosso lugar na natureza e nossa inserção na complexa teia das energias cósmicas). Mais e mais se impõe entre os educadores ambientais esta perspectiva: educar para a arte de viver em harmonia com a natureza e propor-se repartir equitativamente aos demais seres, os recursos da cultura e do desenvolvimento sustentável.
Precisamos estar conscientes de que não se trata apenas de introduzir corretivos ao sistema que criou a atual crise ecológica, mas de educar para sua transformação. Isto implica superar a visão reducionista e mecanicista ainda imperante e assumir a cultura da complexidade. Ela nos permite ver as inter-relações do mundo vivo e as ecodependências do ser humano. Tal verificação exige tratar as questões ambientais de forma global e integrada.
Deste tipo de educação se deriva a dimensão ética de responsabilidade e de cuidado pelo futuro comum da Terra e da humanidade. Faz descobrir o ser humano como o cuidador do jardim do Éden que é nossa Casa Comum e o guardião de todos seres. A democracia, além de ser sem fim como o quer com razão Boaventura de Souza Santos, será também uma democracia sócio-ecológica. Junto com a cidadania (que vem de cidade) estará a florestania (que vem de floresta), ensaiada pelo governo petista do Acre. Ser humano e natureza se pertencem mutuamente e juntos devem construir um caminho de convivência não destrutiva.


Municípios

Mostra exibe força de Antônio Prado


9ª Mostra Del Paese divulga a economia, a cultura e o turismo

 

A 9ª Mostra Del Paese, que se realiza de 2 a 18 de maio, de sexta a domingo, em Antônio Prado, vai divulgar o potencial turístico, cultural e econômico do município. Cerca de 70 empresas dos segmentos de alimentação, agroindústria, agricultura, indústria moveleira e comércio vão expor seus produtos no Centro de Eventos.
A estimativa do presidente da festa, Giovan Zulian, é de que um público de 30 mil pessoas visite os pavilhões. O lançamento oficial foi realizado no dia 13 de março, no salão paroquial da comunidade de Linha 21 de Abril, com a presença das soberanas, a rainha Gabriela Chilante e as princesas Daiane Masiero e Natália Vizentin.
A programação cultural prevê a apresentação das comédias musicais Tangos & Tragédias, dia 3; Rádio Esmeralda AM, com as atrizes Adriana Marques e Simone Rasslan, dia 9. No dia seguinte, o show é da banda Acústicos e Valvulados. Dia 16 de maio, haverá show com César Oliveira e Rogério Mello. A principal atração esportiva é a segunda rodada do 10º Campeonato Sul Brasileiro de Jeep Cross, dia 11 de maio.


Municípios

Encontro de idosos


 

“Avaliação da rede de proteção e defesa da pessoa idosa: avanços e desafios” é o tema da 1ª Conferência Municipal do Idoso, que será realizada dia 18 de abril, em Carlos Barbosa. Pela primeira vez, a comunidade barbosense poderá analisar, avaliar e deliberar sobre a política da terceira idade.
O objetivo principal da conferência, promovida pela Prefeitura e Secretaria Municipal de Assistência Social, é a reflexão e a discussão acerca dos avanços e desafios na implementação da rede de proteção e defesa dos idosos. Estão previstas peça de teatro e palestra com a educadora Izabel Ibias. A Conferência do Idoso será no auditório do Centro Municipal da Saúde. As inscrições são gratuitas.


Municípios

Jantar beneficente


 

O Jantar do Peixe, que ocorre no próximo dia 26, no salão comunitário de Nova Vicenza, em Farroupilha, mantém o projeto Gesto de Amor. A iniciativa beneficia doentes de baixa renda com fraldas descartáveis. Serão servidos 20 pratos à base de peixe, preparados por 49 cozinheiros. O jantar deverá reunir 600 participantes. Ingressos podem ser adquiridos por R$ 45, junto à Secretaria Municipal da Educação e Cultura.
O Gesto de Amor é um projeto social que atende mensalmente 120 doentes com fraldas geriátricas descartáveis. São confeccionadas por voluntários.


Nacional

Disputa por terra mata indígenas


Número de assassinatos aumentou 64% em 2007

 

Em 2006 foram assassinados no Brasil 56 indígenas. No ano passado, o número subiu para 92 (64%). A maior parte dos homicídios ocorreu no Mato Grosso do Sul, onde 80 índios foram mortos nesse período: 27 em 2006 e 53 em 2007 - crescimento de 99%.
Os dados integram o relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil 2006/2007, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entidade ligada à Igreja Católica que acompanha a questão indígena há 36 anos. O relatório foi apresentado na 46ª Assembléia Geral da CNBB, em Itaici (SP).
O documento, que aborda também questões de invasão de terras, trabalho escravo e falta de assistência nas áreas da saúde e educação indígenas, aponta a questão fundiária como o principal fator responsável pelo aumento na violência entre e contra os índios.
Segundo a organizadora do relatório, Lúcia Rangel, pesquisadora da PUC-SP, o aumento de assassinatos é resultado da crescente tensão no cotidiano das comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul. O relatório também destaca o impacto negativo para os índios do trabalho em usinas e fazendas de cana-de-açúcar, por falta de outras opções de subsistência. Houve quatro assassinatos em alojamento de usinas e dois casos de trabalho escravo comprovados pelo Ministério do Trabalho no ano passado - um em março, envolvendo 150 índios, e outro, em novembro, com mais de 1.100 indígenas. Foram relacionados ainda casos de violência contra índios, com assassinatos, exploração ilegal e invasão de terras indígenas nos estados do Maranhão, Pernambuco e Espírito Santo.


Nacional

Gado tem mais espaço que índio em reserva


 

De acordo com o Cimi, há no país 734 mil indígenas e, por estimativa, 40% deles vivem em áreas urbanas. Por que a cidade? “Pelos menos 80% das áreas regularizadas estão invadidas por posseiros, grileiros ou algum tipo de empresa que desenvolve projetos econômicos dentro daquelas áreas”, afirma Roberto Liegbott, vice-presidente do Cimi.
Ainda segundo o Cimi, um índio da reserva de Dourados, onde vivem 12 mil Guarani-kaiowá, dispõe de um espaço 20 vezes menor do que o de uma cabeça de gado no Estado: para o gado, há em média 7 hectares de terra, enquanto na reserva de Dourados há cerca de 0,3 hectare por pessoa.
“É uma população que não tem onde plantar, não tem como reproduzir seus meios básicos de vida, e daí decorre uma série de problemas, como desnutrição e mortalidade infantil, suicídio de jovens e conflitos internos, com assassinatos de índios por índios, e também de indígenas por seguranças de fazendeiros que não querem abrir mão de uma parte das suas terras”, afirma o relatório do Cimi.


Nacional

Governo é submisso a pressões, acusa Cimi


 

Para o Cimi, o governo brasileiro “tem sido submisso a pressões de fazendeiros, latifundiários e grupos econômicos”. Relatório revela que das 850 terras reivindicadas por povos e comunidades indígenas junto à Funai, 364 estão com procedimentos demarcatórios concluídos - totalizam 105,7 milhões de hectares, ou cerca de 12% do território brasileiro. Outras 49 áreas foram homologadas, mas aguardam registro; 52 foram declaradas indígenas mas dependem de demarcação; 126 estão na programação da Funai para serem identificadas no futuro; e 222 não têm previsão de providências.


Nanetto Pipetta

Scampar via dele maledete guere che i òmeni i fa

Silvino Santin

Santa Maria - RS

 

Prima de tuto, Nanetto, questo l’è el me ùltimo dèbito de stòrie. Caminemo pianpianeto, parché la stòria la ze longa e le me gambe le ze mede inrudenie.
- Si, si, nono, fè come volì, mi ve obedisso e ve scoltarò con tuto el gusto e l’atension del mondo.
- Eco, cossita che me piase. Sempre depì vedo che te sì un bravìssimo tosato, rispetoso e obediente.
- Gràssie, nono. Ma ndemo avanti, senò la va longa prima de scomissiar.
- Pròpio, te ghè rason, par dirte la verità me toca scomissiar da distante, ben del scomìssio dela migrassion..
In Itàlia, nel tempo dela migrassion, seto Nanetto, ghe gera tante guere. I taliani i barufava intrà de lori, coi tedeschi, i francesi, i austrìachi e fin in Àfrica i fea guera. I zóvani, pori can, el contea me pupà, i moriva come le mosche. Lora, tanti, se raconta, i ze vegnesti in Mèrica e al Brasile par via dela misèria, ma tanti i ze vegnesti par via dele guere. Ben pi tardi, dopo la unificassion del Itàlia, ga scopià le due guere mondiale. El nono de Giàcomo, Renso, l’è morto in te la I Guera mondiale. So pupà l’era picoleto. Insieme co so mama, altri due fradei e una sorela, i ga patio misèrie
Passai, piú o meno vinti ani, la Marieta, védova de Renso, la disea:
- “Son drio sentir spussa de pólvera e el ribombar de canoni. Fioi, la racomandava, ze meio che ve la tolé. Mi romai son malada e veciota, morirò qua, valtri podì ndar in Brasile, là ghe ze de star un cosin del nono Renso”. Questo cosin vien a èsser me pupà.
- Pori grami sti taliani, quanto che i ga suferto, el dise Nanetto, comosso.
- Pròpio te ghè rason. Ma continuando la stòria. Gioanin, el pupà de Giàcomo, romai el gavea fato el soldà. I podea ciamarlo a qualunque ora. In pochi giorni el se ga imbarcà come marinaio e l’è rivà a Rio Grande. Dopo na setimana, medo de scondion, l’è rivà casa nostra. El giorno drio, ghemo savesto che scominsiava la II Guera mundiale. Gioanin, el se ga disperà, lu el pensea, suito che’l se postesse, mandar vegner la fameia. Ghe ga tocà spetar finir la guera. El pupà el ga fato tuto quel che’l podea par farghe coraio. Le robe le ze restae ncora pedo parché el goerno brasilian, là par le tante dela guera, el ga tratà i taliani e alemani come nemici. Gioanin, che l’era talian da vero, el ga vivesto sconto. Pi de un ano sensa saver gnente dela fameia.
- Maledete guere e maledeti quei che le fa. E póveri quei che i more, sensa saverlo parché, el dise Nanetto, inrabià.
- Coraio, Nanetto, ncora no semo rivai a Giàcomo.
- Ben, lora ndè avanti, nono.
Sei mesi dopo, la fameia la ze rivà. Gavemo fato festa na setimana. Qua in medo i monti i ga vivesto contenti e ciapà bele sbranche de soldi fando formaio. E che formaio! Dopo che i ze ndai via no se ga pi visto formaio compagno.
- Come ndai via?! E Giàcomo, quel dei mandolini, ndove zelo?
- Speta, Nanetto, el ze drio rivar.
- Quando nissuni se la spetava, Giustina, la dona de Gioanin, la ga guadagnà un tatin.
- L’è Giàcomo, el osa Nanetto.
- Pròpio vero. Pi de vinti ani dopo da esser rivai. So fradei pi veci romai i gera ndà a Porto Alegre laorar in società con so zio, che, anca lu, el gavea fato ora tórsela del Itàlia, ma prima el ga passà un bon tempo in Argentina.
Gioanin e la Giustina, i gavea pensà, fursi, de ritornar in Itàlia, ma adesso gavemo un brasilianeto in brasso. Anca, i se disea, sarà che giova ritornar? Qua stemo ben. Fame no ghinavemo mai patio. Salute no ghinà mancà. Podemo star qua. El tempo lo dirà.
E un par de ani i ze passai. Una matina, Gioanin no’l leva su. L’è morto dormindo. Tuti i fioi i ze vegnesti. Luri i volea menar so mama a Porto Alegre. Giàcomo el gavea sete o oto ani. Ma ela la ga dito, prima de ndar a Porto Alegre, lora ritorno in Itàlia, el manco par veder come la ze. Giàcomo el vien co mi.
E così ze stà fato.
Par farla pi curta, la ga finio par restar là, e la ga mandà tor i ossi del so omo. E ela la me ga dito par ndar star in te la so casa, là ndove te me ghè vedesto insacando mandolini.


Novo Jeito de Viver

Alimentar-se

Wilson João

Somos, no corpo, o que entra pela boca, e na vida espiritual o que entra pela mente

 

Há corpos saudáveis e bem alimentados e há corpos doentes e subnutridos. Há alimentos sadios, tanto para o corpo como para o espírito, como há alimentos poluídos que resultam em pessoas doentias e debilitadas. Há corpos sadios em espíritos doentes e há espíritos sadios em corpos sofridos. Beldades e celebridades que, tendo um corpo perfeito e sadio, acabam no envenenamento espiritual que produz a morte. Há uma variedade enorme de doenças e ao mesmo tempo uma oferta de remédios para todas as enfermidades. Buscam-se remédios para o corpo em farmácias que aparecem em cada esquina da cidade e não se capricha em buscar remédios espirituais nas farmácias da vida, que libertam dos medos, depressões e existências sem sentido.
SOMOS O QUE ENGOLIMOS. Tanto no corpo como no espírito. Tanto na vida emocional como intelectual. Somos no corpo o que entra pela boca. Somos na vida espiritual o que entra pela mente. Como na vida biológica o corpo, com sua máquina perfeita, vai elaborando e devolvendo em energia o que recebe, assim nossa vida espiritual, na máquina fabulosa das emoções e sentimentos, vai elaborando e devolvendo em idéias, sonhos e desejos aquilo que recebe. Por isso, esperta e sábia é a pessoa que, desde seu nascimento até a morte, vai escolhendo alimentos sadios para o corpo e idéias, imagens e emoções saudáveis para o mundo mental e espiritual. Tudo é questão de escolha. A escolha é radicalmente pessoal.
NOSSO CORPO SE ALIMENTA DE PÃO. “O pão nosso de cada dia” é tudo o que comemos e bebemos. O pão significa tudo o que o corpo pode e deve comer e beber. Sempre mais, há um cuidado em aprender comer e beber sadiamente, mas há também uma sociedade de consumo que, em nome da pressa e da facilidade, dispõe de alimentos e bebidas que matam o corpo em vez de lhe proporcionar vida.
NOSSA ALMA SE ALIMENTA DA BELEZA. A sociedade materialista e consumista faz da beleza não um alimento para o espírito, mas apenas a utilização da mesma comercialmente. Para muitas pessoas a vida se tornou um peso porque deixaram de cultivar o encanto da beleza. A beleza produz a leveza da vida. Perdeu-se o encanto pela beleza porque perdeu-se a referência do paraíso. Há um paraíso perdido dentro de cada pessoa. Um paraíso perdido que se manifesta na angústia humana, no medo de viver, na ansiedade diante do futuro e na vida sem rumo e sem sentido.
É PRECISO RECOMPOR O PARAÍSO. Dele nasce o alimento da alma que, essencialmente, é a beleza. A beleza pela beleza. No paraíso há a beleza da fraternidade entre os animais, a beleza da abundância das fontes e dos rios, a abundância das frutas e das flores, a harmonia das pessoas com Deus: “Ouviam-se os passos de Deus pelo jardim”. O paraíso é nossa casa natural.


Olhar Diferente

Se o amanhã não vier

Frei Aldo Colombo

Caxias do Sul - RS

O tempo é uma das realidades mais intrigantes e ilusórias da vida

 

Dimensionar o tempo, saber a hora certa, sempre foi uma preocupação da humanidade. No começo a avaliação era feita pelo golpe de vista e pelo avanço da sombra. Depois, um iluminado inventou a ampulheta, um vaso com areia, que escoava lentamente. O tempo necessário para esvaziar o conteúdo era a unidade de tempo. Depois surgiram os primeiros relógios mecânicos, de engrenagens. O feliz proprietário tinha de dar corda ao relógio. Um grande avanço aconteceu com os relógios de quartzo. Símbolos da exatidão do tempo, foram amplamente superados pelos relógios atômicos. O relógio do Departamento do Comércio dos Estados Unidos garante margem de erro inferior a um segundo num período de 80 milhões de anos. Agora, nova edição do relógio não adiantará nem atrasará um segundo em mais de 200 milhões de anos. Isso para a alegria dos adeptos da pontualidade.
O tempo é uma das realidades mais intrigantes e ilusórias da vida. Nós o esbanjamos como se fosse infinito, depois mendigamos uns poucos segundos. Mendigamos uma curta prorrogação, com a certeza de que poderemos, em pouco tempo, fazer o que deixamos de fazer ao longo dos 90 minutos de uma partida de futebol ou da vida.
Em meados de 2007, um avião da TAM - Vôo 3054 - bateu e incendiou-se no final da pista do aeroporto de Congonhas, na capital paulista, com um passivo de 199 mortos. Dois dias depois, o marido de uma das aeromoças mortas colocou um bilhete no mural das comunicações internas da empresa. O título: se o amanhã não vier...
O marido reconstituiu as últimas horas de vida a dois, transcorridas na tranqüilidade e na rotina, sem a densidade da última vez. “Se eu soubesse que essa seria a última vez que eu veria você dormir, se eu soubesse que essa seria a última vez que veria você sair pela porta, se eu soubesse que era a última vez que estávamos rezando juntos... Eu filmaria cada gesto, cada palavra sua, para que eu pudesse ver e ouvir de novo, dia após dia... Se eu soubesse que essa seria a última vez... eu gastaria um ou dois minutos para te dizer: eu te amo”.
É claro, nós contamos com o dia seguinte para olhar nos olhos, sonhar, sorrir, beijar e dizer: eu te amo... Mas se o amanhã não vier? Ficará o amargor da felicidade perdida ou não desfrutada. Apostamos, levianamente, nossas fichas no amanhã. Hoje é o único tempo que temos, hoje é tempo de amar, de falar, de sorrir. Hoje é o tempo de Deus.
Nunca sabemos se teremos uma segunda chance. O dia de amanhã não está prometido para ninguém, jovem ou velho. Hoje pode ser a última chance de apertar a mão da pessoa que amamos, pode ser a última chance de perdoar ou pedir perdão, pode ser a última chance de chamar a Deus de Pai. Porque se o amanhã jamais chegar, não teremos que nos arrepender pelo dia de hoje. Pois o passado não volta e o futuro talvez não chegue.


Padre Zezinho

Catequese do túnel

Padre Zezinho

Escritor, compositor e intérprete

Precisamos viver como quem sabe que vai morrer

 

O túnel é escuro. Escuro como breu. Assusta, quando não se sabe seu comprimento. É relativamente fácil quando se sabe que é passagem. O túnel é necessário. Poupa o esforço da viagem pela montanha. Não é a estrada, mas a estrada passa por ele. Não é nem o começo nem o fim da estrada. Não é o contrário da estrada. É passagem obrigatória da estrada.
Depois dele a estrada continua, numa outra paisagem, noutra dimensão. Para atravessar o túnel é preciso luz, muita luz. Assim mesmo, o túnel é escuro e ninguém gosta de morar nele. Aliás, ninguém mora no túnel. Passa-se por ele. Todos, todos, sem exceção. Os patriarcas passaram pelo túnel. Os profetas passaram pelo túnel. Imperadores e reis passaram por ele; princesas e rainhas, nobres e cortesãos, ricos e pobres.
A grande maioria teve medo. Alguns na infância, outros na juventude, outros na velhice. Alguns por acidente, outros por doença, outros porque se jogaram nele. E houve os que esperaram sua hora e foram tranqüilamente. Mas todos passaram. Há mais de 120 bilhões de seres humanos do lado de lá do túnel. Só eles sabem se foi bom ou ruim atravessá-lo. Há mais de seis bilhões do lado de cá.
Vivemos de adivinhar, porque ninguém sabe o que é atravessar o túnel. O nome do túnel é morte. O nome da estrada é vida. Prepare-se. Um dia, e você não sabe quando, será a sua vez de atravessá-lo. Se temos todos de passar por ele, por que não levá-lo a sério? Viver como quem sabe que vai morrer. Morrer como quem soube viver.


Reportagem

Longevidade muda as relações familiares


Pesquisa identifica perdas e ganhos da convivência entre avós, filhos e netos

 

Considerada pela Organização Mundial da Saúde como uma das grandes conquistas do século passado, a longevidade se constitui também num grande desafio. As pessoas estão vivendo muito mais e isso tem modificado a estrutura familiar. Não raro uma família apresenta três ou quatro gerações que convivem entre si. Atualmente, um quarto das famílias brasileiras possui um ou mais idosos (IBGE, 2000).
Com o objetivo de conhecer os impactos da longevidade na família multigeracional, o Núcleo de Estudos do Envelhecimento da Universidade de Caxias do Sul desenvolveu uma pesquisa com 27 famílias de Caxias do Sul, identificando perdas e ganhos da convivência entre avós, filhos e netos.
Segundo a pesquisadora e coordenadora Vania Herédia, um dos aspectos mais importantes, expressado por todas as gerações entrevistadas, é a existência de uma troca de afeto. “Percebe-se que são justamente as manifestações de afeto que unem as gerações”, afirma. A necessidade de apoio, que traduz os recursos de ajuda mútua que são encontrados nessas famílias, aparece com destaque nas gerações de filhos e netos.
A análise dos depoimentos evidencia que a convivência familiar é importante para os avós. “A importância do convívio para os idosos reside no fato de não se sentirem sós, de usufruírem da intimidade familiar, de terem quem os acolhe”, observa Vania.
A pesquisadora afirma que a categoria “troca de experiências e saber” foi a que mais chamou atenção no estudo. Segundo ela, essa categoria tem menor significado para filhos e netos, enquanto é supervalorizada pelos avós. “Eles valorizam muito a possibilidade de aprender, mas também de ensinar”, diz Vania. Os avós acreditam que o relato de suas experiências e seus conselhos podem ajudar na solução de problemas ou na formação dos jovens, por exemplo, e gostariam que, em contrapartida, os jovens reconhecessem esse auxílio, o que nem sempre acontece”, explica. “Esse é um fator de conflito, já que os jovens muitas vezes entendem os conselhos como uma intromissão em suas vidas”, completa.
Os valores também têm presença marcante nas relações familiares e são manifestados por todas as gerações. Vania afirma que essa categoria reflete a importância que uma geração atribui à outra. “Todos reconhecem a importância da família, de ter os pais vivos, os avós presentes, orientando, apoiando”.
O estudo ainda identifica a categoria compreensão, que foi menos expressa pelas diferentes gerações. Compreender traduz o ato de entender o outro, respeitar suas possibilidades e dificuldades, perceber o significado de seu papel e de seu lugar no espaço familiar. “Talvez aqui resida a necessidade de compreender o que implica a convivência intergeracional, os problemas que acarretam o viver juntos e os benefícios que representam essa convivência”, diz Vania.


Reportagem

Expressões de afeto unem gerações


 

A maior aproximação entre as gerações ocorre por meio das manifestações de afeto. Isso fica claro nos depoimentos da família de Isabel Quadros, 91 anos. Ela mora com uma de suas filhas, Terezinha Rech, 64 anos. Também moram com ela o neto Paulo Renato Rech, 31, e os bisnetos Talia, 7, e Paulo Ricardo, 21. São quatro gerações que dividem a mesma mesa, as mesmas preocupações e alegrias.
“A convivência é a melhor coisa do mundo”, garante Isabel, que faz questão de também visitar os outros filhos, inclusive os que moram em Porto Alegre e Jaquirana. “Minha filha cuida muito de mim. Toda vez que vinha para Caxias, ficava com esta minha filha, por isso escolhi morar aqui", explica.
Sentimentos semelhantes sentem os bisnetos. Talia conta que chama sua avó, Terezinha, de "Teca" e sua bisavó, Isabel, de avó. Paulo Ricardo diz que "se ganha muito" com este convívio. “Deve ser triste viver sem a família, pena que poucos têm a oportunidade dessa convivência”, afirma o neto Paulo Renato. Ele reconhece a importância da troca de experiências e dos valores transmitidos. “A experiência de vida que nos é passada, o conselho a mais que recebemos, é muito importante", observa.
A filha Terezinha resume bem como é a relação dessas quatro gerações. "Somos quase inseparáveis. Podemos até discordar, mas ninguém sai da sala sem estar bem um com o outro", conclui.


Reportagem

Conflitos desqualificam o convívio


 

Apesar de a troca de afeto ser expressa por todas as gerações, a pesquisa identifica que, nas relações familiares entre grupos multigeracionais, há também sentimentos de desamor e rejeição; comportamentos de falta de carinho, de desrespeito, de impaciência, de incompreensão, de raiva, de irritação; revelações de estorvo e incômodo. Esses aspectos desqualificam a convivência familiar, constituindo-se em problemas, perdas, conflitos, como pode-se observar em alguns depoimentos.
“Um dos pontos negativos na convivência entre avós, filhos e netos é o conflito de idéias, pois cada geração apresenta uma visão diferente para cada situação e isso, algumas vezes, pode gerar desgastes no relacionamento diário.” (M.B., neto, 26 anos)
“Nunca fez um carinho, nunca deu atenção e depois de idosa ficou pior ainda. Eu também não tenho paciência. Não judio, mas não tenho paciência de ficar escutando, porque eu lembro do que ela fazia pra gente. Aí tu vai encarar como”? (E.C.C., filha, 63 anos)
“Quando as pessoas não aceitam os limites impostos a cada idade, deixam de ter uma convivência saudável.” (N.T.B., avó, 71 anos)
A família exerce papel fundamental ao bem-estar de seus membros, especialmente dos idosos. Porém, ao mesmo tempo, é lugar natural de conflitos. A pesquisa conclui que a família é, portanto, contraditoriamente, estrutura de apoio e desamparo, aceitação e negação, afeto e desafeto, harmonia e desavenças, companhia e solidão, perdas e ganhos.


Reportagem

Geração do meio busca equilíbrio


 

A pesquisa do Núcleo de Estudos do Envelhecimento constata que a geração do meio, ou seja, a dos filhos, é o contraponto entre as três gerações familiares. Ela representa a busca do equilíbrio entre as necessidades e os anseios da família. “Essa percepção advém da constatação de que a maior representação de significado de uma categoria nunca está na geração dos filhos, contemporizando o papel que a geração do meio ocupa na manutenção das relações familiares”, explica a pesquisadora Vania Herédia.
“O papel do intermediador é difícil, ele precisa manter os filhos e conter as reclamações dos idosos”, afirma. “Cada um quer defender seu espaço e ele têm que negociar, minimizar os conflitos e respeitar ambas as gerações, buscando o estabelecimento da harmonia nas relações”, completa.


Reportagem

Educação é caminho para a velhice digna


 

O estudo aponta que os ganhos e as perdas da convivência familiar multigeracional indicam a necessidade de uma educação para qualificar as relações familiares. Segundo a pesquisadora Vania Herédia, essa educação deve promover o conhecimento sobre o envelhecimento, porque é o conhecimento que possibilita a compreensão das mudanças advindas do tempo e dá condições para reconhecer essas transformações, aceitar e respeitar os limites e as possibilidades de cada um.
“A família tem dificuldades de aceitar os limites causados ao idoso pela idade, porque não os conhece bem e não se preparou para isso. Muitas vezes esses limites implicam buscar ajuda, o que poderia minimizar os obstáculos trazidos pela velhice”, esclarece.
A educação para o envelhecimento seria o caminho para uma velhice digna, e a busca de um envelhecimento saudável e ativo pode ser uma solução.


Saúde

Dormir bem evita males cardíacos


Pesquisa indica que reduzir horas de sono eleva risco de morte

 

Quem acha que dormir é perda de tempo deve repensar seus hábitos. Dormir pouco pode trazer problemas bem mais graves do que a lentidão de raciocínio e a dificuldade de manter a atenção. Uma boa noite de sono contribui para manter o coração saudável, ao passo que a falta dele pode colaborar para o desenvolvimento de problemas nesse órgão vital. Essa é a conclusão de uma recente pesquisa feita por cientistas de universidades inglesas.
Os pesquisadores constataram que adultos que dormiam em torno de sete horas por noite e passaram a dormir cinco horas ou menos tiveram 70% mais chances de morrer, de 11 a 17 anos depois, em relação aos que continuaram repousando por sete horas. Já o risco de o motivo da morte ser uma complicação cardíaca foi o dobro.
Segundo os cardiologistas, há evidências de que a privação do sono promove efeitos indesejáveis no coração e compromete o endotélio, camada mais interna das artérias. Isso contribui para diminuir a capacidade de dilatação das artérias, facilitando a ocorrência de pressão alta e doença coronariana.
O sono é um período de relativo repouso para o sistema cardiovascular. Quando alguém dorme, há uma queda, em média, de 10% da pressão arterial e da freqüência cardíaca, em relação ao período de vigília. O sono é importante não apenas para garantir disposição no dia seguinte, mas também para a integridade do sistema cardiovascular.
A pesquisa inglesa é uma das mais recentes sobre a importância do sono para o coração. Estudos anteriores já haviam demonstrado que dormir pouco pode facilitar o ganho de peso e o desenvolvimento do diabetes tipo 2 e da hipertensão. Outras pesquisas também já comprovaram que a “sesta”, ou seja, aquele sono rápido, de até meia-hora, que muitos costumam fazer depois do almoço, reduz em cerca de 35% as chances de óbito por problemas cardíacos.
Sabe-se ainda que o sono auxilia a memória e a aprendizagem, o sistema imunológico e o crescimento físico em crianças. Já a privação do sono, além dos males já citados, pode causar mau-humor e problemas de cognição (capacidade de aprendizado, memória).


Saúde

Qualidade do sono é mais importante


 

A pesquisa conclui que dormir sete horas por noite é ótimo para a saúde. Entretanto, quem dorme este período e, de repente, sente necessidade de mais horas de sono deve ficar alerta, pois isso pode ser sinal de outras doenças, como depressão.
Porém, o consenso entre os médicos é que cada pessoa tem seu próprio ritmo biológico, ou seja, sua necessidade individual de sono, que pode variar, em média, de cinco a oito horas. Eles também são unânimes em afirmar que, mais do que a quantidade de horas dormidas, vale a qualidade do sono.


Triticultura

Grão de ouro


Preço do trigo dispara. E o Brasil, que importa 70% do que consome, sente os efeitos. Plano tenta reduzir dependência para 40% até 2012

 

O Plano Qüinqüenal de Apoio à Triticultura tem como meta aumentar a produção brasileira de trigo para 7,1 milhões de toneladas em 2012. O pulo é significativo, quase o dobro dos 3,83 milhões de toneladas colhidas na safra passada. Mas mesmo que seja integralmente atingida, ela representará pouco mais de 60% do consumo nacional. Ou seja: o Brasil continuará dependente do mercado externo para atender a 40% de suas necessidades.
Em 2007, o Brasil importou 7,2 milhões de toneladas, mais de 60% do que precisa para abastecimento interno - em torno de 11 milhões de toneladas. 90% vieram da Argentina. Custo: US$ 1,5 bilhão. As projeções para 2008 indicam a necessidade de comprar de outros países o equivalente a US$ 2,6 bilhões. O valor não mantém a mesma proporção com o volume porque, pela disputa do produto no mercado internacional, o preço deu um grande salto - a tal ponto que, no balcão global de grãos, o trigo está sendo comparado a ouro.
Dados divulgados pelo Banco Mundial e pelo FMI, no último final de semana, indicam que o preço do trigo no mundo cresceu 181% em três meses até fevereiro de 2008. Para comparar: em geral, os preços dos alimentos nesse período aumentaram 83%.

Efeitos - O brasileiro sente os efeitos dessa elevação na hora de comprar o pão, o macarrão... que em poucos dias subiram em média 12% - e devem aumentar mais nos próximos dias. Além de perder divisas, o país vive a instabilidade gerada pela dependência de importações.
Por que o brasileiro não planta trigo, se dispõe de terras e condições climáticas? “Redução de barreiras às importações e acordos políticos em troca do envio de produtos da linha branca a países do Mercosul”, responde a pesquisadora Casiane Salete Tibola, da Embrapa Trigo. Além de problemas fitossanitários.
O assistente técnico estadual da Emater/RS Luiz Ataídes Jacobsen aponta outros fatores pelo declínio da triticultura. “Os custos variáveis de produção, as altas taxas de juros no mercado interno e o preço baixo na hora da venda do trigo são alguns dos elementos que desestimulam o produtor”, declara.
No quesito custos, o plantio da safra que se aproxima enfrenta outro agravante: a alta dos insumos, em média, de 100% a 115%. “Para ter idéia, uma tonelada de fertilizante que em fevereiro do ano passado custava US$ 196, neste ano saltou para US$ 422”, calcula Jacobsen.

Preços - O setor produtivo do trigo está reivindicando a correção do preço mínimo, estabilizado há quatro anos. A decisão de novo preço para o grão é importante nesse momento em que o produtor se prepara para plantar a safra, num cenário onde os estoques internacionais estão baixos e as importações já começam a encarecer o preço do trigo.
O setor defende a elevação do preço mínimo para R$ 500 a tonelada - ou seja, R$ 30 a saca. Reivindica ainda a manutenção da taxa de 10% para entrada de trigo a partir de 30 de junho; maior abrangência do seguro agrícola; adoção de medidas compensatórias contra entrada da farinha argentina que deprecia o preço ao produtor e a elevação dos valores de referência para liberação do custeio da safra diante do aumento dos preços dos adubos.

Mapa - O trigo ocupou uma área de 1,8 milhão de hectares em 2007, com produtividade de 2.102 kg/ha. A região Sul respondeu com 3,58 milhões de toneladas, numa área de 1,72 milhão/ha - Paraná: 821,3 hectares e 1,85 milhão de toneladas; SC: 81,7 mil/ha e 204,9 mil toneladas; e RS: 816,9 mil hectares e 1,53 milhão de toneladas - 5% é cultivado no Centro-Oeste.


Triticultura

Produção integrada busca a qualidade


 

Garantir a qualidade final do trigo brasileiro é o objetivo do programa de Produção Integrada de Trigo (PIT), coordenado pela Embrapa Trigo, com sede em Passo Fundo (RS). “O acompanhamento da produção desde a lavoura garante um produto diferenciado, resultando no incremento de valor agregado e liquidez da safra”, assegura a pesquisadora Casiane Tibola.
A produção nacional de grãos poderia alcançar melhores resultados ainda não fossem as perdas na pós-colheita. Além das perdas quantitativas da lavoura ao armazém, problemas que afetam a qualidade dos grãos, como presença de insetos, resíduos de agroquímicos, fungos e micotoxinas, comprometem a segurança na produção de alimentos.
O PIT, através de um sistema normatizado, garante alimentos rastreados e com qualidade certificada. “Esse sistema permite o fornecimento de matéria-prima uniforme, pois os lotes de trigo são segregados no recebimento da unidade armazenadora conforme características de interesse, como cultivar, classe comercial e usos pela indústria”, afirma.
As normas técnicas vão orientar os agentes da cadeia produtiva, “indicando o manejo mais adequado em cada etapa na produção de trigo e disponibilizando aos consumidores um produto com qualidade garantida”, ressalta a pesquisadora ao CR.
O projeto PIT está sendo implementado em cooperativas de produtores. Na safra 2007, foram produzidas 7.000 toneladas de trigo, segregadas de acordo com características de interesse comercial. Informações sobre a produção integrada de trigo estão disponíveis no site http://www.cnpt.embrapa.br/pit


Triticultura

Produtividade garante crescimento de 72%


 

A produção de trigo na safra 2007/2008 cresceu 71,5% em relação à safra anterior, de 2,3 milhões de toneladas. O Brasil colheu no último ano 3,83 milhões de toneladas. O referido incremento deve-se à recuperação da produtividade, já que na colheita 2006/2007 essa cultura foi bastante castigada com a estiagem, com a geada e com o excesso de chuvas.
No RS, a partir da segunda quinzena de setembro, a chuva foi em excesso, acompanhada de ventos fortes e granizo. Esse quadro perdurou em outubro. “Com essa situação, ocorreu o aparecimento de doenças fúngicas em larga escala, afetando a produtividade e qualidade do grão, que se encontrava no estádio de maturação e colheita”, explica a pesquisadora Casiane Tibola.
A produção do Paraná foi 64,4% maior que a do ano anterior, apesar da redução de 6,7% da área cultivada. A regularidade do clima aumentou a produtividade em 76,3%, comparativamente à verificada na safra 2006/07, frustrada pelo clima adverso.


Vita Stòria e Fròtole

Una curiosa sfida (I)

Silvino Santin

Santa Maria - RS

 

Due compari, sempre che i se vedea, i se sfidea par saver chi dei due el gera pi brao de robar qualcossa. Ognuno el volea esser el pi brao. Un el disea, son mi. Varda ti se te sì ti! El pi brao son mi. Ti! ma gnanca se mi vao coi oci sarai ti te sì meio de mi. E lora, el ghe risponde quelatro, go idea che sabo passà, te sì ndà coi oci sarai, quando te sì stà squasi sarà su te’l punaro de Bepon, e te sì ritornà sensa el gal par el nostro brodo.
E là i due compari i seguitea - Son mi! Nò, son mi! Quante volte bisogna che te lo diso che son mi. Lo stesso, quante volte te vol te lo diso parché te ricognossi che son mi. E così i la tirava longa sensa mai finirla. Lora, par méterghe un punto final a le so barufe, i se sfida dal bon.
Me go desmentegà de dirve el nome dei due compari che ognuno el volea esser el meio ladro. Un el se ciamea Gino, paron de un molin, quelatro l’era cognossesto par Gobon, par via de la goba, e el fea el trupiero de porchi.
El molinaro el gavea slevà raquanti porchi, sicuro col mìlio e le sémole del molin, che romai i gera a punto da vénderli, ma un de sti porchi, el più grasso, el volea coparlo par farse la bagna, salami, ossacoi e codeghini pa’l guasto. Un giorno de piova medo fredeto, giorno de poco movimento in te’l molin, el copa el porco, lo sverde par meso e lo pica in cantina par el di drio far la bagna, salami e i altri fornimenti. E l’è ndà dormir. Ma el di drio al rivar in cantina, el porco no’l ghe gera pi. Scampà no podea esser, impossìbile, qualchedun lo gavea despicà e insacà. Ghe ze vegnesto suito in mente el compare che’l volea esser meio ladro che lu. Vedemo come la ze stada.
El Gobon, come el ga savesto che so compare el gavea spartio el porco più grasso par copar, el ga pensà: “Sta note vao robarghe el porco”. El ciapa due sachi, el invita un so fradel par ndar tor un porco a casa de Gino, no’l ga mia parlà de robar, senò so fradel no’l ndaria insieme. El ghe dise; “Bisogna che partimo ben bonora, verso le trè de la matina, lora ciapemo el tempo fresco”.
E così i se ga messo in strada. “Prima - el ghe dise a so fradel - ndemo in te’l orto de Gino impienimo un saco de verze, par dopo magnarle con i bifi del figà”. El gera ncora ben scuro. “Par sorte, le verze - el comenta el fradel del Gobon - no le se move, così l’è fàcile catarle su”. In pochi minuti, a quatro man, i ga impienio el saco, ben colmo. “Adesso, mio caro fradel, ndemo tor el porco”.
Al rivar in te’l staloto, el porco grasso no’l gera pi là. “Ma come, el se sclama el Gobon, Gino el me gavea dito che lo assaria qua? Fiol don can el vol ciavarme! Adesso si, el se ga dito, l’è rivà l’ocasion par mostrarghe a Gino chi che l’è el meio ladro”. So fradel no’l savea gnente de la stòria, e anca l’era medo baucoto, sinò el se gavaria nicorto che la stòria no la gera ben contada.
Adesso bisognea saver ndove l’era el porco. El Gobon, lu no’l savea che’l compare lo gavea copà e picà in cantina. Bisognea far presto, parché podea scomissiar s-ciarir el di. El ghe dise a so fradel: “Ti stà qua che mi vao dimandarghe al compare, ndove el ga messo el porco” (Continua).